terça-feira, 10 de setembro de 2013

José Dirceu divide com a gente a a carta que eu enviou ao jornal O Globo a respeito de reportagem publicada nesse último fim de semana

Caro editor
Escrevo em repúdio a reportagem na qual o Globo afirmou que eu agia em favor de empresas na Casa Civil. Jamais atuei na defesa de interesses privados quando era ministro.
A conclusão da reportagem se baseia numa interpretação pouco defensável de dois ofícios assinados por mim, encaminhando para áreas competentes demandas apresentadas por empresas privadas.
Agi dentro das atribuições legais que tinha quando chefiava a Casa Civil, sem interferir no andamento de nenhum dos dois pedidos apresentados ao governo. A única atitude que tomei foi a de enviar as demandas para os setores responsáveis por avaliá-los, sem recomendar sua aprovação ou desaprovação.
A simples leitura dos ofícios demonstra isso. Como pode atestar qualquer leitor, os dois textos apenas resumem o teor das demandas e pedem que elas sejam analisadas.
Ao longo do período em que estive na Casa Civil, recebi centenas, talvez milhares, de pedidos semelhantes, repassando-os sempre para as áreas competentes. Mais do que uma atitude natural, era uma obrigação funcional.
A conclusão apresentada pela reportagem do Globo e o momento de sua publicação sugerem a intenção de interferir no julgamento da ação penal 470.
Vinhedo, 9 de setembro de 2013
 José Dirceu
Ex-ministro da Casa Civil

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

ZÉ DIRCEU ASSISTE COM AMIGOS O JULGAMENTO DA AP470


Quando ouviu Joaquim Barbosa dizer que é um “privilégio” dos réus da Ação Penal 470 serem julgados pelo Supremo Tribunal Federal, José Dirceu sorriu discretamente. Foi uma das poucas vezes em que perdeu a concentração enquanto assistia pela TV à derradeira e decisiva sessão do julgamento do mensalão nesta semana.
Terça-feira, 5 de setembro de 2013, por volta de 14 horas, bairro de Vila Mariana, zona Sul de São Paulo. A convite do ex-ministro, cheguei ao prédio em que reside para, ao lado de outros de seus amigos e de todos os seus familiares acompanharmos a sessão do julgamento do mensalão em que acreditávamos que seu destino seria selado.
Os convidados esperaram por Dirceu no jardim ou no salão de festas de seu prédio durante quase uma hora. Ele estava em seu apartamento reunido em almoço com toda a sua família. Chegou abraçando os amigos e sorrindo com amabilidade, mas sem exageros. Era possível notar que estava tenso.
Os amigos de Dirceu se dividiam entre amuados, tensos e revoltados. O último grupo, sobretudo devido à imprensa de tocaia à porta do prédio, câmeras, gravadores e blocos de anotação em punho.
Eu mesmo, perguntei a um repórter de O Globo e a uma repórter do Estadão por que estavam ali e ouvi que foi porque souberam que as ex-mulheres de Dirceu estavam reunidas com ele. Respondi que a família inteira estava lá e quis saber por que uma reunião familiar e com amigos seria notícia. A resposta da menina do Estadão: “É que somos do PIG”.
Os repórteres insistiram em saber sobre o estado de espírito de Dirceu. Respondi o que ele me disse e o que constatei, que está “firme como uma rocha”. Os repórteres pareceram algo decepcionados…  Enfim, as matérias dos veículos para os quais dei rápida entrevista você pode ler aqui e aqui.
Sobre os convidados, estiveram no encontro com Dirceu personalidades como o escritor Fernando Morais, o cineasta Luiz Carlos Barreto (o Barretão), o presidente da CUT, Wagner Freitas, além de ex-companheiros de luta durante a ditadura militar como os jornalistas Artur Scavone, Rose Nogueira e muitos outros.
A melhor forma que encontrei para reproduzir para os leitores do Blog o sentimento de revolta de amigos e familiares de Dirceu por conta de sua provável – mas não certa – condenação em um julgamento cercado de tantas contradições e suspeitas, foi colher depoimentos em que tal sentimento ficou patente.
Ao fim, expliquei a Dirceu que meus leitores vêm pedindo informações sobre seu estado de espírito e, assim, gentilmente ele fez questão de gravar uma mensagem exclusiva para o Blog da Cidadania: “Estou firme e sereno”. Confira, abaixo, a cobertura que fiz do encontro dos amigos e familiares de José Dirceu. 

Por Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania

DESPROPORCIONALIDADE DAS PENAS, TESE DE LEWANDOWSKI

 O ministro revisor da Ação Penal 470, Ricardo Lewandowski, apresentou na sessão desta quinta-feira 5 do Supremo Tribunal Federal (STF) tabelas que evidenciam a desproporcionalidade na fixação da pena-base pelo crime de formação de quadrilha de alguns réus do julgamento.
Os prejudicados, segundo a tese de Lewandowski, seriam Marcos Valério, José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Kátia Rabello e José Roberto Salgado, que receberam penas maiores do que deveriam ter recebido.
Na sessão de hoje, ele afirmou que a única explicação para isso, a seu ver, seria evitar a prescrição e a intenção de totalizar uma pena para que os réus fossem condenados a regime fechado. "A evidência matemática é claríssima", declarou o revisor, que encerrou seu posicionamento: "Os fatos falam por si só".
VEJAM AS TABELAS ABAIXO:







Fonte: 247

segunda-feira, 15 de julho de 2013

RELAÇÕES ESCANDALOSAS: Empresa investigada por receber R$ 2,5 milhões de Marcos Valério contratou filho de Joaquim Barbosa

 Por Helena Sthephanowitz                                                                                                                                                
                                                                                                                                                   
                                         
O grupo Tom Brasil contratou Felipe Barbosa, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para assessor de Imprensa na casa de shows Vivo Rio, em 2010. Até  poucos dias atrás, antes de ele ir trabalhar na TV Globo com Luciano Huck, Felipe ainda era funcionário da Tom Brasil.
Nada demais, não fosse um forte inconveniente: a Tom Brasil é investigada no inquérito 2474/STF, derivado do chamado "mensalão", e o relator é seu pai Joaquim Barbosa. Este inquérito, aberto para investigar fontes de financiamento do chamado "mensalão", identificou pagamento da DNA propaganda, de Marcos Valério, para a Casa Tom Brasil, com recursos da Visanet, no valor de R$ 2,5 milhões. E quem autorizou este pagamento foi Cláudio de Castro Vasconcelos, gerente-executivo de Propaganda e Marketing do Banco do Brasil, desde o governo FHC. Estranhamente não foi denunciado na AP-470 (chamado "mensalão") junto com Henrique Pizzolato.
Outra curiosidade é que um dos sócios do grupo Tom Brasil, Gladston Tedesco, foi indiciado na Operação Satiagraha, sob a acusação de evasão de divisas como cotista do Opportunity Fund no exterior, situação vedada a residentes no Brasil. Ele negou ao jornal Folha de S. Paulo que tenha feito aplicações no referido fundo.
Tedesco foi diretor da Eletropaulo quando era estatal em governos tucanos, e respondeu (ou responde) a processo por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.
Pode ser só que o mundo seja pequeno, e tudo não passe de coincidência, ou seja lobismo de empresários que cortejam o poder, embora o ministro Joaquim Barbosa deveria ter se atentado para essa coincidência inconveniente, dada a sua dedicação ao inquérito. Entretanto, não custa lembrar que se o ministro, em vez de juiz, fosse um quadro de partido político, o quanto essa relação poderia lhe causar complicações para provar sua inocência, caso enfrentasse um juiz como ele, que tratou fatos dúbios como se fossem certezas absolutas na Ação Penal 470. Também é bom lembrar que o ministro Joaquim Barbosa já declarou que não tem pressa para julgar o mensalão tucano, no qual Marcos Valério é acusado de repassar grande somas em dinheiro para a campanha eleitoral dos tucanos Eduardo Azeredo e Aécio Neves.

domingo, 14 de julho de 2013

ENTENDENDO O FUNDO DE INCENTIVO VISANET!

A VISA INTERNACIONAL, A CBMP/VISANET, O FUNDO DE INCENTIVO VISANET A CBMP/VISANETPOST 1
A empresa multinacional americana - Visa Internacional -,operadora de cartões com marca Visa,   no ano de 1995, convidou 25 bancos brasileiros para criarem juntos uma empresa chamada Companhia Brasileira de Meios de Pagamento - CBMP -, que ficou conhecida por VISANET. Objetivo: unificar a administração e operacionalização dos cartões de crédito, de marca Visa, no Brasil. Os bancos não teriam mais custos para afiliar estabelecimentos comercias e distribuir as “maquininhas” de leitura dos cartões. A Visa Internacional entrou com o dinheiro (custos operacionais), os bancos entraram com sua carteira de clientes (consumidores). Para incentivar a parceria, cada banco associado recebeu, da Visa International, uma porcentagem de participação na CBMP/Visanet, conforme seu tamanho (número de clientes) para distribuição de lucros futuros. Os bancos não gastaram um único centavo para concretizar esta parceria; o compromisso era aumentar a venda de cartões com a marca Visa e, assim, todos lucrarem mais. (Programa de parceria Visa - Documento de Compromisso Ap 419) 1 VISA
 Os 25 bancos brasileiros NUNCA aportaram dinheiro/recursos para associaram-se à CBMP/Visanet.A participação e permanência dos bancos na CBMP/Visanet SEMPRE foi condicionada ao cumprimento de compromissos estabelecidos pela empresa multinacional americana Visa Internacional.
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O FUNDO DE INCENTIVO VISANET
Em 2001, a CBMP/Visanet, decidiu criar um fundo. Separou uma pequena quantia sobre os ganhos com os cartões para ser utilizado exclusivamente para divulgação - propaganda - da marca Visa. A Visanet, composta por vários bancos concorrentes entre si,  decidiu que não faria, ela própria, as campanhas publicitárias. Isto ficaria a cargo de cada banco. A CBMP/Visanet aprovou um regulamento, estabelecendo as regras para utilização do dinheiro do fundo. O Regulamento do Fundo de Incentivo Visanet estabeleceu que a origem e propriedade dos recursos sempre pertenceriam à Visanet.
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Cada banco decidia se utilizaria ou não o dinheiro do fundo. Ao concordar em utilizá-lo, os bancos estariam sujeitos às regras do regulamento.Se decidissem não utilizá-lo perderiam o direito sobre o mesmo: o valor permaneceria no fundo e poderia ser ou não redistribuído novamente para os outros bancos.
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Todas as decisões eram tomadas pelas instâncias diretivas da Visanet: o valor destinado ao fundo, a aprovação das propostas de ações de marketing, a fiscalização da efetiva realização das mesmas, o pagamento às agências de publicidade e fornecedores.
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Os recursos do fundo sempre estiveram em poder da CBMP/Visanet, em conta bancária em nome da empresa. Os bancos associados não dispunham livremente sobre este dinheiro. O dinheiro do fundo nunca pertenceu a nenhum banco, muito menos ao Banco do Brasil; o dinheiro pertencia à empresa privada CBMP/Visanet. (Regulamento Fundo Visanet Apenso 356 fls 9648 a 9640) 2 VISA
Por que é importante entender isto?
 1. A Visanet é uma empresa privada que decidiu disponibilizar dinheiro para que os bancos fizessem propaganda de sua marca - Visa.
2. O dinheiro é da Visanet, portanto, o dinheiro nunca pertenceu a nenhum banco.
3. O dinheiro da Visanet nunca pertenceu ao Banco do Brasil, portanto o dinheiro NÃO É PÚBLICO.
Por Alexandre Teixeira

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Mensalão da Globo: primeiras páginas da “bomba atômica”

Mensalão da Globo: primeiras páginas da “bomba atômica”


Como o Cafezinho está meio instável, em função do volume monstro de visitas, e como o Fernando Brito é parceiro, publico aqui também este novo furo jornalístico. O importante é divulgar! O post original é este.
O Cafezinho obteve as primeiras páginas da “bomba atômica”. É apenas um aperitivo do que vem por aí. São cinco novas páginas agregadas às 12 páginas que já divulgamos.
Insistimos com o detentor dos documentos que liberasse logo tudo, mas ele prefere soltar aos poucos. Nos documentos vazados agora, aparecem alguns novos nomes usados pela Globo para realizar a fraude detectada pela Receita Federal nas Ilhas Virgens Britânicas. Um deles, na página 16 do Slideshare abaixo, aparece Globo Overseas Investment.
O relatório completo, ainda a ser divulgado, contém tudo.
Com estes nomes, será possível ao Ministério Público e, sobretudo, ao jornalismo investigativo brasileiro, se é que ele existe, ir atrás de mais informações.
Temos feito a nossa parte, sem equipe, trabalhando no conteúdo, nas redes sociais, na diagramação, resolvendo problemas de provedor. Nessas horas a gente vê a degradação moral provocada pelo monopólio. Todos têm medo da Globo, visto que ela, por deter quase um monopólio (e figurar na cabeça de um oligopólio), responde pela maior parte dos empregos bem pagos na área de jornalismo, e pode prejudicar a carreira de um político. A Globo tornou-se uma espécie de Cosa Nostra midiática.
O medo, todavia, tem alguma razão de ser. Esses documentos, vazados agora, já motivaram alguns assassinatos. Não assassinatos de reputação. Assassinatos de verdade. O auditor que detêm a íntegra deles, por isso mesmo, permanece em lugar secreto, e espalhou cópias do relatório em vários lugares, para, se no caso de sofrer um atentado, o mesmo não se perca.
PS: Aproveito para deixar aqui um convite a todos para participar de um ato, em frente ao Ministério Público, para cobrar uma investigação sobre o caso. O texto é do pessoal do Megacidadania.
DIA 10/07 TODOS NA PORTA DO MPF
Fato é que o MPF tem a obrigação de esclarecer a sociedade brasileira. É por este motivo que iremos EM GRANDE NÚMERO, no dia 10/07, às 11:00h, na Av. Nilo Peçanha, 31, Centro – RJ, que é a sede do MPF na cidade do Rio de Janeiro.
Será igual como fizemos no OCUPE a Rede Globo do dia 03/07 que transcorreu dentro da normalidade democrática.
Especializado em “vazar” documentos para a velha mídia, o MPF/PGR, ouvirá o nosso brado retumbante: EXIGIMOS TRANSPARÊNCIA. CPI da GLOBO JÁ !
Convide seus amig@s, o link para confirmação é https://www.facebook.com/events/474173136005650
Fontes: Por: Miguel do Rosário em O Cafezinho e Tijolaço

terça-feira, 11 de junho de 2013

Revista Veja e PT: um ódio que não tem fim

O portal Brasil 247 faz uma análise da reportagem de capa da revista Veja desta semana. A publicação revela trechos de uma biografia não autorizada do meu pai, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, escrita por seu editor Otávio Cabral. A matéria retrata um monstro, além de - estranhamente - revelar conteúdos de conversas sem testemunhas sobre chantagens, e tentar alertar os ministros do STF a respeito de José Dirceu. O tom usado no texto não é novidade. Apenas reafirma o ódio que Veja e outros veículos da mídia golpista têm do Partido dos Trabalhadores e dos avanços sociais que os governos Lula e Dilma proporcionaram para a população brasileira. Vale a pena conferir: 

Para a revista Veja, a prisão de José Dirceu, assim como seu aniquilamento e a destruição completa de sua biografia, é uma questão de honra. Não fosse assim, a revista não teria recorrido aos serviços do bicheiro Carlos Cachoeira para tentar seguir – ilegalmente – todos os seus passos no Hotel Naoum, em Brasília. Da mesma forma, a revista não teria feito uma capa com fogos de artifício, quando o Supremo Tribunal Federal definiu as penas dos réus da Ação Penal 470.
Dirceu é um alvo especial para a revista porque ocupa um papel simbólico na história da esquerda brasileira. Transformá-lo em bandido, em personagem inescrupuloso ou numa espécie de monstruosidade moral é uma maneira, também, de criminalizar a própria esquerda.
É nesse contexto que se insere a biografia não autorizada "Dirceu", escrita pelo jornalista Otávio Cabral, editor de Veja. Até algumas semanas atrás, divulgava-se que o livro não seria mais lançado, diante dos receios da editora LeYa. Agora, "de surpresa", o livro chega às livrarias pela Record e também à capa de Veja desta semana, cuja imagem é simbólica: o "monstro" pragmático Dirceu tira a máscara do "herói" sonhador, que ele usara na juventude. Abaixo disso, chamadas impactantes como num thriller policial: "Uma biografia não autorizada conta a transformação do jovem militante em um exímio manipulador político, homem de negócios e condenado que SEQUESTROU - TEVE MÚLTIPLAS IDENTIDADES - CHANTAGEOU LULA.
Uau! Quanta maldade reunida num só personagem!
Sobre o livro em si, poucas revelações bombásticas, a julgar pelo que está contido na reportagem de Veja. Uma das revelações é a de que, enquanto viveu no Paraná com Clara Becker e assumiu a identidade do empresário "Carlos Henrique", Dirceu não mantinha apenas uma vida dupla, que ocultava da própria mulher. Ele também teria tido uma amante em São Paulo, onde comprava roupas para sua loja, e, portanto, tinha uma "vida tripla", segundo Veja.
Sobre o sequestro, ele diria respeito ao estudante João Parisi Filho, membro do Comando de Caça aos Comunistas, que teria tentado se infiltrar entre militantes do movimento estudantil. Descoberto, ele teria sido levado a cárcere privado e submetido a agressões físicas pela turma de Dirceu.
Em relação a "chantagem a Lula", o livro conta que Dirceu obteve a presidência do PT depois de uma conversa tensa – e sem testemunhas – com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dirceu teria ameaçado abandonar o PT e revelar esquemas de caixa dois do PT com empreiteiras, caso Lula não o apoiasse – o que não parece ser tão verossímil. E como a conversa se deu sem testemunhas, quem a terá revelado ao editor de Veja?
O que importa, no entanto, é a caracterização do personagem. Dirceu é, na biografia de Otávio Cabral e na reportagem de Veja, assinada por Thais Oyama, um monstro. "Um anti-herói sem escrúpulos que, como tantos outros na história política, escondeu a ambição atrás de um falso ideal".
Desmascará-lo ajuda também, na lógica de Veja, a desmascarar todos os ideais de esquerda. E basta virar a página para descobrir que, na era pós-Roberto Civita, a principal revista da Editora Abril mantém a mesma sutileza de sempre. A reportagem "Supremo à beira da curva" diz que, "aprovado para a corte", Luís Roberto Barroso enche os mensaleiros de esperança. No texto, a revista faz um apelo para que ele e seu colega Teori Zavascki não livrem os réus da cadeia.
Lembrando: Dirceu foi condenado pela teoria do "domínio do fato". Sabia porque, segundo a maioria da corte, seria impossível que não soubesse. Na formação de quadrilha, foi condenado por cinco votos a quatro – o que lhe dá direito aos embargos infringentes.
Mas o monstro precisa ser destruído, aniquilado e preso. É este o objetivo da biografia "Dirceu" e da capa de Veja desta semana.